Ilustração da situação da muralha do Rio de Janeiro em 1730

O RIO ATRÁS DA MURALHA

(parte 2 de 3: A Construção)

Vimos na postagem anterior o mapa que o engenheiro militar João Massé fez em 1712, com o planejamento da fortificação da cidade depois do ataque de Trouin. Aquele documento é a primeira planta do Rio de Janeiro em escala, mostrando todas as quadras e ruas junto à orla marítima.

A muralha projetada por Massé foi construída no período entre 1713 e 1725 (estimativa). Embora suas dimensões variassem de acordo com as características de cada terreno, há registro das seguintes medidas oficiais: altura de 1,76m a 2,20m, largura de 3,08m e distância entre contrafortes de 5,50m.

O engenheiro visou proteger a faixa de terreno que corria junto ao mar, com início na Ponta da Fortaleza de São Thiago (onde hoje está o Aeroporto Santos Dumont), no sopé do Morro do Castelo (derrubado no séc. 20), e término no trapiche da Prainha (atual Praça Mauá), na base do Morro da Conceição. 

A muralha passava pelo atual Largo da Carioca e seguia paralelamente à Rua da Vala (hoje Rua Uruguaiana), por detrás da capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (ao lado do Largo de São Francisco). O portão ficava na Rua da Quitanda do Marisco (atual Rua da Alfândega).

O relatório da tripulação da nau L'Arc-en Ciel, que visitou o Rio de Janeiro em 1748, registrou que "a muralha era construída de pedra e liga de massa forte e preta, de aparência pouco sólida".

O amuralhamento não foi bem aceito pelos cariocas, que viam nele um retrocesso à época das cidadelas medievais e também porque a primeira e antiga muralha levantada pelos fundadores da cidade nas imediações do Morro do Castelo ainda existia, porém já sem nenhuma função. O projeto de João Massé também foi duramente criticado por outros motivos que veremos na próxima parte.

(continua...)

Celso Serqueira e-mail do autor

   > fechar <

www.serqueira.com.br

© Copyleft 2005 CMS