O RIO ATRÁS DA MURALHA (parte 2 de 3: A Construção)
Vimos na postagem anterior o mapa que o engenheiro militar João Massé fez em 1712, com o planejamento
da fortificação da cidade depois do ataque de Trouin. Aquele documento é a primeira planta do Rio de Janeiro em escala, mostrando todas as quadras e
ruas junto à orla marítima.
A muralha projetada por Massé foi construída no período entre 1713 e 1725 (estimativa). Embora suas dimensões
variassem de acordo com as características de cada terreno, há registro das seguintes medidas oficiais: altura de 1,76m a 2,20m, largura de 3,08m e
distância entre contrafortes de 5,50m.
O engenheiro visou proteger a faixa de terreno que corria junto ao mar, com início na Ponta da
Fortaleza de São Thiago (onde hoje está o Aeroporto Santos Dumont), no sopé do Morro do Castelo (derrubado no séc. 20), e término no trapiche da
Prainha (atual Praça Mauá), na base do Morro da Conceição. A muralha passava pelo atual
Largo da Carioca e seguia paralelamente à Rua da Vala (hoje Rua Uruguaiana), por detrás da capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (ao lado do
Largo de São Francisco). O portão ficava na Rua da Quitanda do Marisco (atual Rua da Alfândega).
O relatório da tripulação da nau L'Arc-en
Ciel, que visitou o Rio de Janeiro em 1748, registrou que "a muralha era construída de pedra e liga de massa forte e preta, de aparência pouco
sólida".
O amuralhamento não foi bem aceito pelos cariocas, que viam nele um retrocesso à época das cidadelas medievais e também porque a
primeira e antiga muralha levantada pelos fundadores da cidade nas imediações do Morro do Castelo ainda existia, porém já sem nenhuma função. O
projeto de João Massé também foi duramente criticado por outros motivos que veremos na próxima parte.
(continua...)
Celso Serqueira  | |
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