Hans Staden presencia o preparo do banquete antropofágico durante seu cativeiro no Brasil -

 ilustração de Theodore de Bry em "America tertia pars..." Alemanha, 1592

CANIBALISMO, ASPECTO MACABRO DA HISTÓRIA 

Parte 4 de 5

Quando os índios queriam reforçar a dieta, fazer uma festa ou, simplesmente, saborear um churrasco, o infeliz prisioneiro que estava na engorda era sacrificado com uma forte bordoada na cabeça, a qual geralmente causava fratura de crânio com perda de massa encefálica. A morte era imediata. Depois ele era cortado e levado ao fogo, os pedaços sobre uma grelha de bambu verde. 

Com a chegada dos europeus, os selvagens adotaram alguns hábitos mais requintados, ou seja, abandonaram as pedras afiadas e passaram a esquartejar os corpos com facas e machados que recebiam em troca do trabalho de extração do pau-brasil e captura de animais silvestres. 

Observando como os brancos faziam com os carneiros, copiaram o uso de mesas e troncos como suporte (mesa) para o esquartejamento da carcaça humana, ao invés de fazê-lo no chão; e, grande "progresso", passaram a usar o espeto - além da tradicional grelha - para assar as partes por igual, principalmente pernas e costelas. 

Exceto pelo tipo de carne, o processo não diferia dos churrascos atuais: começava com todos conversando alegremente, tinha música animada, tomava-se muita bebida - aguardente - até o pessoal ficar bem "alto"; a carne ia pro fogo, as mulheres serviam algum acompanhamento e todos comiam até não agüentar mais. A salmoura, como conservante e tempero, era conhecida pelos indígenas.

Eventuais sobras da carne eram assadas, porque se fossem guardadas cruas, estragariam rapidamente. Alguns mais chegados levavam "um pratinho" pra casa, para comerem depois (este hábito consta em registros da época).

 Não parece o churrasco de fim de semana na casa do cunhado à beira-mar? Sem saber, a gente vem repetindo hábitos selvagens de mais de 500 anos. Evoluímos?

(continua)

Celso Serqueirae-mail do autor

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