(Ilustrações dos livros Navigatio in Brasiliam Americae - capa - e "America tertia pars..." -

mulheres e crianças tomando "mingau" - Theodore de Bry, Alemanha, 1592)

CANIBALISMO, ASPECTO MACABRO DA HISTÓRIA 

Parte 5 de 5

Em geral, as carnes eram moqueadas (assadas na grelha) e comidas pelos índios adultos, cabendo às crianças alguns miúdos e uma sopa rala chamada de "mingau" (termo tupi), que as mulheres preparavam com as entranhas das vítimas. Agora você sabe a origem do prato que reforça a alimentação da nossa criançada, e que hoje, felizmente, é feito apenas com leite, açúcar e farináceos.

Embora o canibalismo, como prática coletiva conhecida, tenha terminado mundialmente na década de 1950, na Nova Guiné, pode-se afirmar que todos os povos, em algum momento de sua evolução, o praticamos. Mais que a história, quem afirma isso é a ciência, que identificou as marcas do canibalismo no DNA humano. 

E revela mais: que a antropofagia ajudou o desenvolvimento do homem, reduzindo as mortes por doenças de príon. Saiba mais sobre esta impressionante descoberta da genética em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u8840.shtml 

É fato que os sacrifícios humanos nas mesas de pedra e as bordoadas na cabeça ficaram no passado, porém, o panorama moderno pode ser igualmente aterrador. A discussão atual é sobre a possibilidade de estarmos iniciando uma nova forma de canibalismo através do sacrifício intencional de fetos, que têm tecidos e células extraídos para uso em outros seres humanos. Nem gastronômico nem ritual; no século 21, o canibalismo é científico.

Aqui termina este tenebroso e longo artigo sobre o canibalismo. Espero que tenha sido útil ao seu conhecimento. Ufa!

Celso Serqueirae-mail do autor

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