Índia Tapuia em Recife, PE - famosa tela de Albert Eckhout, 

que participou da comitiva holandesa de Maurício de Nassau, 1641

CANIBALISMO, ASPECTO MACABRO DA HISTÓRIA 

Parte 3 de 5

Entre os selvagens brasileiros, a justificativa romântica para o canibalismo - incorporar a coragem do inimigo - até pode ser aplicável em raros casos, mas o que prevalecia mesmo eram o gosto pelo churrasco humano e o sentimento de vingança pelo inimigo. Uma grave ofensa ou ameaça era olhar para alguém e fazer o gesto de morder o próprio braço; isso significava, mais ou menos, "vou pegar você e comer todinho!". 

Em várias aldeias, principalmente dos tupinambás, a carne humana era estocada como alimento e a vítima mantida presa e sob engorda por semanas ou meses. Mas nem sempre se esperava para consumir a criatura. Durante lutas entre tribos, havia casos de canibalismo logo após a captura do inimigo, para saciar o apetite dos guerreiros e suas famílias. E como os nossos índios apreciavam muito a carne humana, volta e meia invadiam outras aldeias exclusivamente para obter o petisco. 

O alemão Hans Staden naufragou em Itanhaém, em 1553, e ficou aprisionado durante nove meses na aldeia do cacique Cunhambebe, na região de Mangaratiba, Rio de Janeiro. Seu livro "
Viagem ao Brasil" documenta ricamente esses e outros aspectos do canibalismo e é leitura recomendada, assim como "Viagem à Terra do Brasil", de Jean de Léry, que acompanhou Villegaignon na implantação da França Antártica no Rio de Janeiro. 

Deve-se levar em conta a forte influência religiosa sobre os autores dos relatos; Hans Staden, por exemplo, credita a repetidas intervenções divinas o fato de não ter sido devorado pelos nativos. Lógico: em tempos de fanatismo religioso, Staden não seria tolo de escapar da churrasqueira dos índios para se arriscar a cair na fogueira da Inquisição. 

(continua...)                       

Celso Serqueirae-mail do autor

   > fechar <

www.serqueira.com.br

© Copyleft 2005 CMS