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Mapa com uma das raras versões do Caminho Velho para as Minas Gerais no ano de 1707

PASSEANDO NAS ESTRADAS REAIS  [6]

AFINAL, A ESTRADA REAL!

Finalmente chegamos ao que muitos pensam ter sido a única estrada real, mas que na verdade foi apenas uma delas - a mais longa e antiga. Era o Caminho Velho, que ligava Paraty à Vila Rica (Ouro Preto) se estendendo até o Arraial do Tijuco (Diamantina). 

Os cariocas chegavam a ele por via marítima, através de Paraty, e os paulistas, margeando o rio Paraíba do Sul até Guaratinguetá. Do Rio, eram 95 dias de viagem, sendo 43 a pé, para cumprir o trajeto de 1.200 quilômetros. 

Quase não houve mapas do século 18 mostrando o caminho do ouro porque era proibido divulgá-lo. A vigilância era tão severa que em 1711 foi destruída uma edição inteira do livro "Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas", do jesuíta italiano João Antônio Andreoni, que descrevia o acesso ao sertão das Minas. Houve muitos casos assim. 

Na medida em que, durante o século 18, aumentou a produção de ouro na região das minas gerais, o governo português intensificou a fiscalização para se evitar o desvio de ouro e de pedras preciosas pelos "descaminhos", mas o contrabando continuou, lesando o pagamento do "quinto" (20%) de imposto. 

Numerosas trilhas clandestinas foram abertas. Partindo do litoral fluminense, seguiam em direção à Serra da Bocaina, de onde se ligavam a outras trilhas no Vale do Paraíba, despistando as Guardas, e depois prosseguiam por atalhos na Serra da Mantiqueira até alcançarem a região aurífera. Alguns desses caminhos continuaram sendo usados para o contrabando de escravos, no século 19. 

A trilha remanescente da Estrada Real hoje passa por 170 municípios (156 em Minas, sete no RJ, sete em SP) e é destinada ao turismo. Ela foi o principal tronco viário do País, fundamental na história do povoamento e da colonização do território brasileiro.

(continua...)
Celso Serqueira  e-mail do autor