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A Map of the Author's route from Rio de Janeiro to Canto Gallo also to Villa Rica and 

thro'the centre of the Gold Mines to Tejuco, the Capital of the Diamond Mines & District

 called Cerro do Frio. John Mawe, London, 1812 

PASSEANDO NAS ESTRADAS REAIS  [7] - Final

Finalizamos a série abordando aqui o "Caminho Novo" para Minas Gerais aberto pelo bandeirante Garcia Rodrigues Paes, em 1704, no fundo da Baía de Guanabara. Percorrer esta estrada exigia um terço do tempo (25 dias) despendido no "Caminho Velho de Parati" (70 dias), cujas cidades entraram em decadência com a perda do tráfego.

A viagem pelo novo caminho começava na orla, no centro da cidade (Cais dos Mineiros, próximo à Praça Mauá), de onde se partia para o fundo da Baía de Guanabara em embarcações à vela, com escalas na Ilha do Governador, e adentrava-se por 12 quilômetros no Rio Pilar até o porto de mesmo nome. Nesse local, a estrada subia a serra por onde hoje é a vila de Xerém, na Baixada Fluminense, seguindo por Miguel Pereira e Paty do Alferes em direção a Paraíba do Sul e depois Juiz de Fora, daí chegando à região de Ouro Preto, antiga Vila Rica. A partir desse ponto, retomava o percurso do caminho velho até Diamantina (Arraial do Tejuco), com ramificações para Pirenópolis (Fazenda Meia Ponte) e Vila Boa, em Goiás, e para a Bahia.

A subida após o Porto de Pilar era de difícil acesso, fazendo com que cargas fossem perdidas, mulas caíssem em despenhadeiros e homens se ferissem. Isso para não falar nos freqüentes ataques de índios. Por isso, em l724, foi aberta por Bernardo Proença, um rico fazendeiro de Suruí, a "Variante do Caminho Novo" para subir a Serra da Estrela, evitando a perigosa e acidentada passagem por Xerém. Essa variante seguia o Rio Inhomirim e depois o Rio Piabanha, no alto da Serra da Estrela, passando por onde hoje estão Petrópolis, Corrêas, Itaipava, até encontrar o Caminho Novo em Paraíba do Sul.

Segundo o Registro de Paraíba do Sul (espécie de pedágio), em 1824 passaram diariamente pelo Caminho Novo, em média, 143 mulas e 302 pessoas. Por ela também circularam os importantes naturalistas-viajantes dos anos 1800 como Barão de Langsdorff, Spiz, von Martius, Saint Hilaire, Walsh, Freireys e muitos outros.

Entre 1761 e 1781, as minas de ouro tiveram uma queda sensível em sua produção, mesmo assim, Estrela continuava sendo o principal caminho para o interior. A inauguração da 1ª ferrovia brasileira, ligando o porto de Mauá à Estação de Fragoso, em Petrópolis, contribuiu para progresso daquela região. Posteriormente, entretanto, o surgimento de outra estrada de ferro, a D. Pedro II, e a abolição da escravatura decretaram o fim do porto . 

Interessante notar que a existência de Petrópolis e adjacências se deve à variante construída por Bernardo Proença. Foi por ela que Dom Pedro I, em 1827, levou sua filha princesa Dona Paula, de sete anos, muito doente, para se recuperar em Correias e lá acabou comprando a Fazenda do Córrego Seco, que deu origem a Petrópolis, fundada doze anos depois por seu filho Dom Pedro II. Não fosse a variante, Pedro I teria levado sua filha para Miguel Pereira, que tem ótimo clima e ficava no caminho da antiga subida do Caminho Novo por Xerém.

Como se vê, simples trilhas de terra podem decidir o futuro de cidades e até de populações inteiras. A bucólica Paty do Alferes e a vibrante Petrópolis que o digam.

Celso Serqueira  e-mail do autor