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Principais caminhos da Baixada Santista e do Planalto Paulista: Tupiniquins, Padre José, Piqueri

PASSEANDO NAS ESTRADAS REAIS  [3]

AS TRILHAS DE SÃO PAULO

Os colonizadores portugueses aproveitaram as inúmeras trilhas abertas pelos índios em todo o território para explorar o sertão. Veja como eram as principais trilhas que transpunham os 800 metros de muralha de pedra da Serra do Mar e faziam a ligação entre o litoral e São Paulo:

Trilha dos Tupiniquins

Primeira e principal ligação da vila de São Paulo de Piratininga com o litoral durante o período colonial. Começava em São Vicente, passava por uma área alagada (Cubatão) e ia serra acima até às nascentes do rio Tamanduateí (Mauá) e daí ao córrego Anhangabaú na aldeia Piratininga do índio Tibiriçá (atual Pátio do Colégio). A trilha passava pelo território dos tamoios e, apesar dela ser movimentada, muitos viajantes eram atacados e devorados. Dois dias para subir, um para descer.

Caminho do Padre José de Anchieta 

Foi aberta em 1554 uma nova trilha que subia pela Serra de Paranapiacaba a oeste do rio Perequê até encontrar o rio Grande e também terminava no Porto Geral (colina do Colégio de Piratininga). O trajeto desde Santos era de aproximadamente 60 a 70 km. O caminho foi aberto por um rico fazendeiro da região, como pena por ter assassinado um escravo açoitando-o demais. O maior tráfico para São Vicente era de escravos índios, e os produtos que subiam ao planalto eram transportados nos ombros de escravos. Três dias de subida.

Calçada do Lorena

As péssimas condições do Caminho do Padre José inviabilizavam o transporte do açúcar até o porto de Santos. Assim, em 1792, foi construída uma nova via, calçada de pedras, por ordem do governador Bernardo Lorena. Primeiro a possibilitar a passagem de tropas de muares, era chamado de Caminho do Mar e totalizava 50 km, reduzindo em 20% o percurso entre São Paulo e Santos. Além disso, era menos íngreme. Dois dias para subir.

Estrada da Maioridade

O Caminho do Mar, com o passar dos anos, ganhou movimento e alguns melhoramentos, inclusive reestruturação parcial do percurso. A obra foi concluída em 1844, e o novo caminho recebeu o nome de Estrada da Maioridade, em honra da proclamação antecipada da maioridade do imperador D. Pedro II (1840). 

Variantes dos caminhos

À medida que a dizimação dos índios abriu espaço à ocupação portuguesa, novos caminhos foram abertos. Em 1583, por exemplo, havia cinco caminhos na vila: Ipiranga, Ibirapuera, Pinheiros, Guaré e  Tabatingüera, que se ramificava em 2 caminhos - um até N. Sra. da Conceição de Guarulhos e outro para São Miguel e Mogi das Cruzes, e daí ao Rio de Janeiro. 

Além desses caminhos, os indígenas do litoral norte paulista tinham diversas trilhas de subida ao vale do rio Paraíba do Sul, como a da Mogi-Bertioga, cuja rodovia provavelmente segue o traçado indígena original.

(continua...)
Celso Serqueira  e-mail do autor