DEITADO
ETERNAMENTE Parte
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A situação brasileira só mudou graças a Napoleão Bonaparte que, ao invadir Portugal e a Espanha, estimulou a fuga da Corte para o Rio de Janeiro em 1808, num contingente não superior a 500 pessoas (nem perto dos 10 ou 15 mil indivíduos alegados pela indecisa historiografia
oficial - veja aqui). Junto com D. João VI vieram, finalmente, os professores, cientistas e artistas portugueses, além da biblioteca real.
Como a nação de bugres não convinha à nobreza, rapidamente foram tomadas as providências necessárias à urgente transformação do Rio de Janeiro num local mais civilizado, onde a realeza usufruísse o conforto e a mordomia a que estava acostumada. Além de serem realizadas inúmeras obras, foram revogadas as antigas leis que proibiam quase tudo. Lentamente, fábricas, tecelagens e escolas começaram a surgir. Os portos brasileiros foram finalmente abertos às nações amigas e o livre comércio foi estabelecido. É verdade, contudo, que por mais um século os ingleses dominaram as transações comerciais, políticas e financeiras com o Brasil, como retribuição à proteção dada ao rei.
Com 308 anos de atraso, o país finalmente conheceu o desenvolvimento. Entre vários empreendimentos importantes, foram fundados nos primeiros anos da Corte no Brasil as Escolas de Anatomia e de Cirurgia na Bahia e Rio de Janeiro, o Jardim Botânico, a Biblioteca Pública, o Banco do Brasil, as Escolas Politécnica e de Minas, o Teatro, a Fábrica de Pólvora e as Academias Militares. Um dos maiores marcos do progresso foi a criação da Imprensa Régia, que inaugurou a permissão para o funcionamento de tipografias e a publicação de jornais no Brasil.
Foi somente a partir do século 19 que começamos a deixar de ser um território selvagem, portanto, temos menos de 200 anos de idade útil como civilização. Lembre-se disso quando o cunhado insistir em comparar o Brasil com os EUA, Canadá e outros países americanos mais desenvolvidos que o nosso. E a culpa, evidentemente, é mesmo dos colonizadores portugueses, que, convenhamos, foram grandes navegadores, mas formavam um dos povos mais atrasados, obtusos e avarentos da Europa. Deu no que deu.
(fontes principais: Rio Setecentista, de Nireu Cavalcanti, e Expo BR500) Celso
Serqueira  | |
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