PORTOLANO, A TEIA DE ARANHA CARTOGRÁFICA Parte 1 de 2
Certamente você já reparou em mapas
antigos riscados por um monte de linhas retas, como se fossem teias de aranha. São as cartas portolanos, que marcaram o início da cartografia
científica. Seu objetivo era guiar os navegadores de porto a porto, ao contrário da concepção moderna de localizar uma posição.
Lá pelo século 14, os exploradores careciam de orientação para se deslocarem num mundo pouco conhecido e cada vez mais disputado. Por isso, os
mapas (cartas) marítimos passaram a ter um caráter prático, pois seu objetivo principal era servir à navegação. Dessa forma, eram desenhados com
muitas linhas de rumo e poucas representações geográficas - basicamente, o litoral e os pontos do interior que poderiam ser vistos do mar e servir
como referência aos navegantes, que raramente perdiam a costa de vista.
As cartas portolanos não tinham coordenadas geográficas, mas retas
direcionais (linhas de rumo) que partiam de uma rosa dos ventos principal e se entrecruzavam com mais linhas de outras rosas dispostas ao redor
daquela. Este traçado permitia calcular os pontos de acerto de rota com o auxílio da bússola, que fora introduzida na Europa por mercadores árabes
vindos da China. Nos portolanos, freqüentemente o Norte aparece à direita e o Oeste na parte superior. Apesar de não possuírem marcações de latitude e longitude, os portolanos eram eficientes cartas de navegação. Sua atualização era
contínua, a partir de informações obtidas dos diários de bordo e pela determinação de distâncias e posições através da leitura da bússola. Naquela
época, cada navio levava um cartógrafo para trabalho interno, ou seja, para orientação pessoal do capitão. Cada mapa de bordo, no decorrer de alguns
anos, se tornava praticamente personalizado e representava um bem extremamente precioso. Embora
a Escola de Maiorca, na Espanha, tenha sido um importante centro de produção destes mapas, os portugueses participaram ativamente de seu
aperfeiçoamento, principalmente com o surgimento da Escola de Sagres. As primeiras cartas portulanos são de origem italiana, feitas em Gênova e Pisa.
As mais belas foram produzidas em Palmas de Maiorca.
(continua...)
Celso
Serqueira  | |
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