PORTO
ALEGRE, CAPITAL CARAMURU
A postagem de hoje é uma valiosa colaboração do professor Rafael
Corteletti. É dele a explicação inicial.
"No mapa está o traçado original da época e, sobreposto em linhas menos espessas, o traçado atual
da cidade (o que facilita, e muito, a orientação).
Essa Porto Alegre em parte não existe mais. As obras de urbanização (como o
alargamento e construção de avenidas), a construção do cais do porto e os aterros na orla do Guaíba acabaram por criar uma nova cidade. Diferente da
romântica Porto Alegre retratada neste mapa.
Observe como o traçado da orla original do Guaíba lembra (lá no fundo) a cabeça de um cavalo...
Cavalo, essencial para aqueles tempos. Cabe lembrar, Celso, que o que está representado neste mapa não passa do que hoje é o Centro da cidade.
Em 1840 a Província de São Pedro estava em meio à longa e sangrenta Guerra dos Farrapos (1835-1845). Porto Alegre era murada e nunca chegou a ser
conquistada pelos republicanos farroupilhas. Sempre foi a capital caramuru, a capital do governo central, de Dom Pedro II e seus tutores. É possível,
com esmero, observar as baterias de canhões instaladas em vários pontos dos muros que protegiam a cidadela. Feito tchê!" §§§ Vale ressaltar
que por situar-se à margem de um rio ou lago (o Guaíba), Porto Alegre teve seu processo de expansão urbana realizado através de aterramento, método
idêntico ao de várias cidades litorâneas, principalmente o Rio de Janeiro.
Entre os primeiros habitantes da cidade estavam os açorianos,
mandados pelo governo português para colonizar o sul do Brasil, ameaçado pelo crescimento das colônias espanholas no continente. O nome completo da
bela capital gaúcha, desde 1841, é "Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre", título honorífico conquistado por ter se mantido fiel ao Império
Brasileiro durante a Guerra dos Farrapos.
A bela Porto Alegre faz jus ao nome. Dentre as muitas atrações que tornam a vida gostosa por lá,
destacam-se eventos como a maior feira de livros a céu aberto da América, o circuito teatral popular "Porto Verão Alegre" e o "Acampamento
Farroupilha", em setembro, quando centenas de piquetes montam suas barracas e fazem os seus churrascos no Parque Harmonia, em pleno centro da cidade.
Um barato!
Outra atração fora de série é a Expointer, que se consolidou como o mais importante evento agropecuário e de maquinário agrícola da
América Latina. O complexo do Parque, em Esteio, possui 141 hectares e recebe mais de 600 mil visitantes nos tradicionais nove dias do
evento.
O gaúcho é tão fiel às suas raízes e aos seus costumes que alguns estudiosos já o qualificam como uma "etnia", tal a quantidade
de traços culturais - principalmente o vocabulário - que os identificam entre si. Uma das marcas dessa integração é o Centro de Tradições Gaúchas,
onde eles se reúnem, preservando e difundindo a sua cultura. São mais de 2 mil CTG's funcionando no Rio Grande do Sul, cerca de 800 no restante do
Brasil e quase duzentos pelo mundo afora. Churrasco, dança, histórias e roupas típicas fazem a rotina desses galpões.
Os Centros de Tradições
Gaúchas surgiram no Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, no fim dos anos 40, quando os alunos criaram o CTG 35 para
enfrentar a avalancha cultural americana do pós-guerra. Tanto nacionalismo por parte da juventude chegou a despertar suspeitas dos militares,
temerosos de que aquelas botas, bombachas, mate quente, chope e danças fossem inspirados por Moscou. Com o tempo, comprovou-se que era, na verdade, a
primeira linha de resistência cultural popular à influência de costumes estrangeiros. Estavam décadas à frente.
(Veja
aqui um trabalho da
pesquisadora Dra. Daniela Marzola Fialho sobre
cartografia urbana, apresentando a evolução dos mapas de
Porto Alegre) Celso
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