MAPAS DA
VERGONHA
Em 1807, o Parlamento Britânico proibiu o tráfico de escravos, mas várias nações -
inclusive o Brasil - passaram a transportá-los clandestinamente. Inglaterra e Estados Unidos começaram então a patrulhar a costa da África e a abordar
todo navio que achassem suspeito de contrabando. Os escravos encontrados eram levados de volta ao continente e a embarcação, apreendida.
Um dos principais relatos sobre as condições do tráfico de negros foi feito pelo reverendo Robert Walsh, que esteve num dos navios-patrulha
ingleses. Ele conta que em 22 de maio de 1829, interceptaram um navio suspeito, e a cena com que se depararam era terrível: os negros estavam
amontoados num local tão lotado e tão baixo que cada um tinha que se sentar em meio às pernas dos outros (veja figura acima, de fundo verde), sem
espaço para se mexerem e fazendo suas necessidades nesta posição.
Eram 336 homens e 226 mulheres seminus e acorrentados em meio a uma
atmosfera fétida. Alguns mortos, muitos doentes e outros em agonia, asfixiados pela falta de ventilação. Eram cerca de 85 m² para cada grupo de 230
escravos. Os sobreviventes foram salvos, alimentados e repatriados. O navio negreiro era o "Feloz", comandado por José Barbosa, e se destinava à
Bahia.
Era costume dos traficantes colocarem escravos em todos os espaços disponíveis no navio. Veja no segundo mapa, de fundo cinza, outra
forma muito usada de acomodação de escravos nas embarcações: os negros eram acorrentados deitados, lado a lado, em espaços internos que não chegavam a
ter meio metro de altura. Mal conseguiam virar de lado para mexerem um pouco o corpo. Assim viajavam durante semanas e a maior parte, obviamente,
chegava morta ou doente ao destino.
Celso Serqueira  | |
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