CONCEIÇÃO, A FORTALEZA QUE NÃO PODIA
ATIRAR
Depois da invasão dos franceses ao Rio de Janeiro, em 1711, foram aprimoradas algumas
fortificações, construídas outras e também uma muralha que atravessava a cidade. A Fortaleza da Conceição surgiu nessa época, devido à necessidade de
instalar canhões em um local alto o suficiente para varrer com balas a parte da orla marítima que vai do Valongo à Praça Mauá (Cais do Porto) e
alcance para proteger a Ilha das Enxadas.
Novo orgulho da cidade, a Fortaleza da Conceição ficou pronta em 1718 e tinha a terceira
maior artilharia do Rio de Janeiro, com "36 bocas de fogo e 1.000 balas de diferentes calibres", inferior apenas às dos fortes de Santa Cruz e de São
João, na entrada da Baía de Guanabara. Ela foi construída no alto do morro, numa área que
pertencera à Igreja, nas imediações do Palácio do Bispo (atual Palácio Episcopal). Por isso, nem bem foram dados os primeiros tiros para inaugurar os
canhões, o bispo D. Francisco de São Jerônimo reclamou à Corte contra as salvas realizadas pelos militares, que abalavam as paredes do Palácio, bem
como perturbavam as atividades espirituais. Pediu, como indenização, uma lâmpada de prata
para a capela do Palácio, no valor de 130$000 (cento e trinta mil cruzados, uma soma considerável).
Então, pela Provisão de 23 de
dezembro de 1718, portanto logo após o forte ter ficado pronto, a Metrópole ordenava que "... se mandasse fazer uma lâmpada para a Capela da mesma
Senhora (Conceição); que na ocasião em que houvesse salvas, da Fortaleza vizinha se não dessem tiros, para evitar-se o prejuízo que podiam ter as
casas de vivenda dos bispos".
E foi assim, para não incomodar o bispo, que a 3ª artilharia mais importante da cidade foi proibida de atirar
tão logo ficou pronta. Mais uma obra do engenheiro francês João Massé que não teve a serventia pretendida pelos portugueses. Azar? Incompetência?
Sabotagem? A dúvida permanece.
Atualmente, o forte e o palácio são tombados pelo IPHAN e abrigam o Serviço Geográfico do Exército.
Celso Serqueira  |
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