O CAMPO ONDE A HISTÓRIA
PASSOU
Em referência ao dia 15 de Novembro, trazemos um mapa com destaque para o local onde se deu o
golpe militar que instaurou o sistema republicano, em 1889.
O grande parque da atual Praça da República, vizinho à Av.
Presidente Vargas, o Palácio Duque de Caxias e a sede da Central do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, era um areal alagadiço coberto de mato até o
início do século XVIII. Durante anos foi o local onde predominaram a malandragem e os negros escravos e forros, com animadas rodas de
batuque. Apesar desta origem simples e popular, poucos lugares no mundo testemunharam
tantos fatos históricos e provavelmente nenhum teve seu nome trocado tantas vezes:
* Inicialmente, foi conhecido por Largo de São
Domingos devido à construção de uma capela pela Irmandade de mesmo nome;
* Em 1735, passa a ser chamado de Campo de Santana, graças à outra
capela levantada num terreno doado aos Irmãos de Santana (onde hoje está a estação ferroviária Central do Brasil). Naquele tempo, o local era
freqüentado por lavadeiras e desocupados, servindo ao despejo noturno do "tigre" (barris de esgoto) pelos escravos;
* Em 1790, iniciou-se um
aterro daquela área. O terreno foi cercado, ganhou uma fonte e passou a ser chamado de Chafariz das Lavadeiras (demolido em 1873, parte dele
encontra-se no Museu Histórico da Cidade);
* Em 24 de junho de 1818, D. João foi aclamado Rei de Portugal naquele parque, com grandes
comemorações;
* Em 12 de outubro de 1822, o nome foi trocado para Campo da Aclamação, após a aglomeração popular que aclamou D. Pedro I como o
primeiro imperador do Brasil;
* Em abril de 1831, no mesmo local, povo e tropas manifestaram-se contra D. Pedro I, que abdicou. O
lugar então passou a ser chamado de Campo da Honra, mas este nome não "pegou" e, para o povo, continuou como "da Aclamação";
*
Em 07 de setembro de 1880, após uma ampla reforma executada pelo paisagista francês Glaziou, o parque foi reinaugurado e manteve o nome de Campo da
Aclamação;
* Em 1890, poucos meses após o Marechal Deodoro da Fonseca ter comandado, naquele local, o golpe militar que derrubou a
Monarquia, o campo foi oficialmente designado como Praça da República, nome que persiste oficialmente, embora o povo tenha voltado a chamá-lo de Campo
de Santana, como no século18.
Reparem nos nomes diferentes de algumas ruas (da Princeza, do Príncipe, da Imperatriz, do Sabão, Larga de São
Joaquim, etc), na estrada de ferro atravessando o campo e na inexistência da av. Pres. Vargas, que ao ser construída reduziu drasticamente o tamanho
do parque. Quanto à proclamação da República, bem... mais uma vez a história não é como
está nos livros. Foi um episódio tramado pela elite insatisfeita (fazendeiros paulistas e oficiais do Exército, na maioria) e concretizado por meio de
mentiras, manipulação e injustiças - principalmente com D. Pedro II, que foi forçado a embarcar de repente para Portugal, escondido, no meio da
madrugada, levando praticamente a roupa do corpo. Se o povo soubesse o que estava acontecendo,
certamente teria defendido o imperador e impedido sua expulsão do País. Os cariocas nem suspeitavam do golpe de 15 de novembro e pensavam que a
movimentação das tropas no Campo de Santana era apenas uma parada militar. Quando a verdade apareceu, dois dias após, a República já estava
"proclamada" e a Monarquia, em alto mar. "Depois de lutar no Chaco Paraguaio, estou pronto para enfrentar o lodaçal político do Brasil" ( Marechal Deodoro da Fonseca) Estava nada: primeiro presidente eleito do Brasil, Deodoro renunciou em dois anos.
Celso Serqueira  |
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