PIRÃO POUCO, O MEU PRIMEIRO!
Este documento, bem discreto, mostra de onde vinham os alimentos na década de 1920 para o Rio de Janeiro. Nota-se como a vida
era simples antes da globalização: os produtos tinham origem definida, havia pouca variedade e quase nada era industrializado. Provavelmente, era mais
sadio que hoje - e certamente menos gostoso!
Um detalhe que chama a atenção e valoriza esse mapinha é a indicação da cidade de
Palmyra (hoje Santos Dumont), em Minas Gerais, onde surgiu o primeiro queijo industrializado do Brasil. Isso foi em 1880, quando o português Carlos
Pereira de Sá Fortes trouxe dois mestres queijeiros da Holanda, Bock e Young, que fizeram em Minas uma adaptação do queijo tipo Edam. Já ouviu falar
em Queijo Palmyra ou Do Reino? É o próprio.
Uma surpresa é o bacalhau, que vinha da Terra Nova (Canadá) e não da Noruega ou de Portugal como
hoje. Também causa estranheza a falta de referência à cerveja, embora o vinho esteja ali, bem indicado.
A versão ampliada deste mapa traz
também os logradouros e dias das 28 feiras livres autorizadas a funcionar no Rio de Janeiro naquela época. Vale lembrar para o pessoal mais novo que
as feiras eram fundamentais para o abastecimento da população. Não existiam supermercados, apenas os mercados municipais, uns poucos e geralmente mal
providos armazéns de secos e molhados e quitandas*.
A "feira livre de impostos" foi criada durante o vice-reinado do Marquês do Lavradio
(1769/1779) para incrementar o comércio, facilitar o abastecimento da população e aumentar o fluxo de mercadorias.
*Nota para os estrangeiros:
no Rio, quitanda significa mercearia ou venda, e não doces e biscoitos caseiros como é entendido no resto do País. Aqui não faz sentido dizer "vou
comer uma quitanda"! Celso Serqueira  | |
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